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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

013 - leonardo boff

“Prefiro o silêncio de Buda à tagarelice dos teólogos”

Tal frase acima pertence ao teólogo católico Dr. Leonardo Boff, concedida recentemente em uma entrevista ao canal de TV GNT. Ex-frade franciscano e teólogo da libertação, lutou, e continua lutando, pelos direitos sociais e atualmente está voltado à discussão ambiental. É conhecido mundialmente por causa de seu discurso provocador às classes dominadoras.


http://gnt.globo.com/viver-com-fe/videos/_2306495.shtml


Do outro lado temos Buda, que foi citado pelo teólogo Dr. Leonardo Boff. É fundador do budismo, religião e filosofia oriental. Foi um príncipe que viveu aproximadamente no ano 600 a.C. Inconformado com a miséria e sofrimento do povo, Buda buscou respostas para o sofrimento humano. O silêncio de Buda quer dizer que o mesmo não dava respostas prontas às pessoas que o procuravam, mas queria que cada um buscasse a resposta interior por meio da meditação, o silêncio.


Frase impactante, num contexto marcado pelo muito discurso e pouco, ou nada, de prática e compreensão. Segundo o Dr. Boff, muito se fala, e pouco se faz. Os discursos estão vazios, não olhando para a vida humana como um todo, mas apenas para sua parcialidade. Falta diálogo, o que gera má compreensão e falta de sensibilidade. Ao olharmos para o atual, vemos discursos que incitam à violência. Religiosos que, para chamar atenção do público, criam discursos aterrorizantes que, se uma pessoa que não esteja em sã consciência, será capaz das maiores brutalidades contra qualquer pessoa que esteja ao seu redor. Fanatismo que impede o direito a vida, igualdade e bem estar de toda, ou parte, da população. O ego acaba se tornando uma desgraça. Neste caso o discurso não está vazio, mas carrega ódio, desconhecimento e egoísmo.

Jesus Cristo vai ao encontro dos menosprezados, convidando a todos e todas para a comunhão. Este convite é feito com amor, sentimento mais profundo que acolhe, como um abraço confortante e quente. Este convite vem para nós a cada momento, ainda que estejamos fracos diante da luta a ser travada com os desafios que a vida coloca à nossa frente.

Não devemos dar ouvidos aos discursos insanos e violentos dos religiosos. Devemos, sim, ser cristãos e cristãs, pessoas que praticam o amor no dia a dia, que procuram compreender a vida humana e que não rejeitam pessoas. Que vão ao encontro de todos e todas que necessitam amor, carinho, abraço, dignidade.

Victor Junior Flegler
“Assim a montanha não é apenas montanha. Em sendo montanha, traduz o que significa majestade. O mar evoca grandiosidade; o céu estrelado, infinitude; os olhos profundos de uma criança, o mistério da vida humana e do universo.

O ser humano capta valores e significados e não apenas fatos e acontecimentos. O que definitivamente conta não são as coisas que nos acontecem, mas o que elas significam para a nossa vida e que experiências elas nos propiciam. As coisas, então, passam a ter caráter simbólico e sacramental: nos recordam o vivido e alimentam nossa interioridade. Não é sem razão que enchemos nossa casa ou o nosso quarto de fotos, de objetos queridos dos pais, dos avós, dos amigos, daqueles que entraram em nossa vida e significaram muito. Pode ser o último toco de cigarro do pai que morreu de enfarte ou o pente de madeira da tia que morreu ou a carta emocionada do namorado que revelou seu amor. Aqueles objetos não são mais objetos. São sacramentos, pois falam, recordam, tornam presente significados, caros ao coração.

Captar, desta forma, a profundidade do mundo, de si mesmo e de cada coisa constitui o que se chamou de espírito. Espírito não é uma parte do ser humano. É aquele momento da consciência mediante o qual captamos o significado e o valor das coisas. Mais ainda, é aquele estado de consciência pelo qual apreendemos o todo e a nós mesmos como parte e parcela deste todo.

O espírito nos permite fazer uma experiência de não-dualidade. “Tu és isso tudo” dizem os Upanishads da Índia, apontando para o universo. Ou “tu és o todo” dizem os yogis. “O Reino de Deus está dentro de vós” proclama Jesus. Estas afirmações remetem a uma experiência vivida e não a uma doutrina. A experiência é que estamos ligados e re-ligados uns aos outros e todos à Fonte Originante. Uma fio de energia, de vida e de sentido perpassa a todos os seres, constituindo-os em cosmos e não em caos, em sinfonia e não disfonia.

A planta não está apenas diante de mim. Ela está como ressonância, símbolo e valor dentro de mim. Há em mim uma dimensão montanha, vegetal, animal, humana e divina. Espiritualidade não consiste em saber disso, mas em vivenciar e fazer disso tudo conteúdo de experiência. Bem dizia Blaise Pascal: “crer em Deus não é pensar em Deus mas sentir Deus”. A partir da experiência tudo se transfigura. Tudo vem carregado de veneração e de sacralidade”.

Leonardo Boff.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

012 - superação se constrói dia a dia - michael.

Filipino quebra tabu de 22 anos e usa tragédia no país como motivação. Aos 17 anos, Michael Christian Martinez é o único representante de sua nação nos Jogos Olímpicos de Sochi. Recebido na Vila dos Atletas, ele foi 1º a treinar no rinque 03/02/2014. Único representante das Filipinas em Sochi, o patinador Michael Christian Martinez foi obrigado a hipotecar sua casa perante a falta de assistência do Governo para poder realizar o sonho de participar dos Jogos Olímpicos de Inverno. "Minha casa está hipotecada. Este investimento é uma loucura", assegura a mãe do atleta filipino, Maria Teresa Martinez.

A família do jovem esportista decidiu hipotecar sua residência depois que o presidente das Filipinas, Benigno Aquino, não atendeu vários pedidos que solicitavam ajuda econômica para poder representar o país na reunião realizada na Rússia. "Acho que inclusive ninguém no gabinete do presidente sabe que há um patinador filipino que está competindo nas Olimpíadas", se lamenta a mãe do atleta em declarações ao portal Rappler.

No sábado passado, Michael se tornou o primeiro atleta de um país do Sudeste Asiático a participar da disciplina de patinação artística durante os Jogos Olímpicos de Inverno e o último a representar seu país após 22 anos de ausência na reunião. Apesar de ser consciente do pouco apoio com o qual conta por parte de seu Governo, o filipino confia em conquistar uma medalha em Sochi.

"Antes não tinha em quem me agarrar, só minha mãe. Agora também eu rezo a Deus cada vez que compito, e funciona realmente bem", assegurou Martinez, que começou a patinar aos 8 anos em uma pista de gelo de um centro comercial de Manila e durante muitas competições teve que viajar sozinho perante a falta de fundos para a viagem de seu treinador.


O jovem, original de Parañaque, um bairro da capital filipina, voltará a atuar na próxima quinta-feira [ontem] no programa curto de patinação artística, onde espera se classificar entre os 24 participantes que passam para a fase seguinte do estilo livre. Além dos obstáculos financeiros, que sempre dificultaram a compra de bons equipamentos e viagem para competições, o atleta teve que enfrentar um problemas de saúde ao ter de lidar com um asma que sofre desde os dois anos.
O primeiro passo, a primeira pirueta e a sensação de entrar para a história de um país. Quando o jovem Michael Christian Martinez entrou na pista do Palácio Iceberg, tornou-se duplamente pioneiro. Além de ser o primeiro filipino da história a representar o país nos Jogos Olímpicos na patinação artística, foi o primeiro atleta a pisar na arena de Sochi para um treino oficial. No domingo, teve que segurar novamente a emoção. Na Vila Olímpica da costa, foi recebido oficialmente, ouviu o hino de seu país e viu a bandeira das Filipinas ser hasteada novamente, após 22 anos, em uma edição das Olimpíadas de Inverno.

“É tudo uma grande experiência totalmente nova. É um momento único e estou muito feliz em estar aqui. Me chamaram a atenção os prédios, as arenas e as cores em Sochi” disse o atleta.

Suas primeiras tentativas foram apenas para se divertir, passar o tempo. Em 2008, após uma viagem para os Estados Unidos, o filipino pôde ver de perto atletas de ponta e decidiu tentar ser um profissional.

A vaga para os Jogos Olímpicos veio em um torneio realizado na Alemanha, no ano passado. Ele terminou a competição na sétima colocação. Para poder competir em alto nível, Michael teve que ficar um tempo longe de seu país. Sua mãe e fiel escudeira, Maria Teresa, é o principal suporte. Além de cuidar de sua carreira, participa do corpo técnico nos treinos na Califórnia, nos Estados Unidos.

A última participação das Filipinas em uma edição de Jogos Olímpicos de Inverno foi em 1992, em Albertville. Na ocasião, Michael Teruel disputou duas provas de esqui alpino, ficando com o 71º lugar no slalom gigante, e 49º no slalom. Martinez não era nem nascido.

“É uma grande responsabilidade representar meu país depois de tanto tempo nos Jogos de Inverno. Sei que estou entrando na história para sempre. Estou orgulhoso e espero deixar todos orgulhosos também”.

Tragédia no país serviu de motivação
A vontade de colocar as Filipinas no programa olímpico de inverno ficou ainda maior no fim do ano passado. Em novembro, o supertufão Hayan, poderoso ciclone tropical, causou destruição nas Filipinas e matou milhares de pessoas. Mesmo estando longe de seu país durante a tragédia, Michael sofreu.

“De longe, eu vi tudo que aconteceu. Cada vez que via as imagens na TV, me dava vontade de chorar. Por outro lado, aumentou minha vontade de dar o meu melhor. Quero competir por eles (filipinos), mostrar o quanto treino e trabalho por eles. Quero representar o espírito dos Filipinos em Sochi”.

"Literalmente, cresci no hospital, porque estava muito doente. Não podia praticar nenhum tipo de esporte, e muito menos exteriores, porque em seguida me dava ataque de asma", conta o patinador.

O frio, quando começou a patinar, fazia com que tivesse que que tomar medicação continuamente para não ter ataques de asma, mas, finalmente, o esporte foi beneficente para sua saúde, destaca Martínez. "Ano após ano, minha saúde vai melhorando, portanto minha mãe me apoia. Ela diz que é melhor consumir o dinheiro em patinar do que no hospital", conclui o olímpico.

A participação de Martinez se transformou em uma das notícias mais lidas das Filipinas, e ele em um dos esportistas mais populares dos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, reunião onde não são frequentes os representantes do países tropicais.

No site da organização, atualmente Martinez é o segundo atleta que conta com mais apoio de seguidores com cerca de 2.400 votos, só atrás do esquiador Byambadorj Bold, da Mongólia, um país no qual inaugurou a primeira estação de esqui há pouco mais de três anos.

A épica história de Martinez também é notícia nos meios de comunicação russos que contam a história do filipino para chegar a Sochi, aponta o jornal filipino The Star.

"O que me impressiona mais é como Martinez aprendeu a esquiar em condições tão péssimas. Ele aprendeu a fazer um triplo axel simplesmente vendo na televisão", comentou o treinador do filipino, o russo Victor Kudryavtsev, à Agência de Notícias da Rússia (RIA).

As redes sociais também são uma importante fonte de apoio para Martinez, onde conta com cerca de 20 mil seguidores no Facebook e 1.600 no Twitter, que enviam ânimo e energias diariamente. "Ganhando ou perdendo, já é um ganhador para todos e cada um dos filipinos", diz um de seus admiradores.

Fonte: globoesporte.com  e espn

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

011 - gunther holfort

Gunther Holtorf tem 74 anos. Em 1989, ele e sua mulher, Christine, saíram da Alemanha para uma viagem de 18 meses pela África num Mercedes G-Wagen fabricado no ano anterior. Viajar é preciso – mas o casal alemão Gunther Holtorf e sua esposa, Christine levaram esse conceito para um nível invejável. Decidiram fazer uma viagem de 18 meses ao redor da África em seu Mercedes G-Wagen. O que eles não poderiam imaginar, é que a viagem duraria 23 anos e ficaria conhecida como “A viagem sem fim de Gunther Holtorf“.


Já passou por 200 países, incluindo Cuba, Coreia do Norte e Iraque. Christine morreu em 2010. Mas pediu a Gunther que ele continuasse. O Mercedes, que se chama Otto, já passou dos 800 mil km rodados.


Gunther não tem Twitter, Facebook, blog, site ou patrocinadores. É uma viagem per se. Não tem sequer uma câmera digital. Usa duas velhas e maravilhosas Leicas com filmes. No ano que vem ele pretende terminar a jornada. O carro será entregue ao museu da Mercedes.

A justificativa? Simples: “The more we traveled, the more we realized how little we’d seen” (quanto mais viajávamos, mais percebíamos que tínhamos visto muito pouco ainda).