Onde estão os
índios e a Amazônia? Na mídia americana, estão nos excelentes documentários da
TV por assinatura. O foco está na exuberância do maravilhoso e surpreendente
mundo dos animais e das plantas.
Nas décadas
de 70, 80 e 90 estavam nas primeiras páginas e nos jornais nacionais. Florestas
em chamas ou serradas, garimpeiros assassinados por madeireiros, índios aos
gritos de guerra e dor, fauna e flora em liquidação.
Ou cansamos
do drama dos índios e das selvas ou os problemas estão bem encaminhados. Notícia
boa não é boa notícia para as manchetes. O cientista Mark Plotkin acha que é caso de tigela meio cheia e meio vazia.
Metade vai bem, metade vai mal.
Apesar de não conseguir determinar qual é a posição de Mark Plotkin junto dos benefícios do uso das plantas medicinais e as pesquisas bioquímicas destas, o vídeo deixa mais claro que a não determinação de princípios ativos não é garantia da ineficácia das plantas nos tratamentos. A premissa a ser usada deve ser outra, pois a ciência não tem ferramentas para compreender mecanismos que não são definidos por suas regras. Bruce Lipton afirma que as terapias vibracionais são mais eficazes porque o corpo, as células, são energia e nos prova através de experiências. Desta forma, ao se determinar os princípios ativos [bioquímicos] podemos negligenciar outros fatores.
Ele tem um
bom medidor. Há trinta anos leva mordidas de mosquitos, come e bebe as
maravilhas e venenos da selva. Hoje é presidente do Amazon Conservation Team,
ACV, criada por ele, que joga na defesa de índios e selvas. Outras ONGs
protegem um ou outro. A ACV acredita que um não vive sem o outro, embora ele
admita que na Costa Rica os índios se foram e a selva ficou - e vai bem.
Em 1993, Mark Plotkin publicou um
livro que teve impactos, positivos e negativos: Tales of a Shaman's Apprentice
(Contos de um Aprendiz de Pajeh em português), em que descrevia suas
experiências na selvas da Amazônia sobre medicina indígena e os pajés. Plotkin
é um etnobotânico, um cientista que estuda nossas relações com as plantas, em
um campo além da jardinagem.
Ele estava a
serviço da Shaman Phamaceuticals, que tinha apostado milhões de dólares nos
segredos curativos da selva. O principal alvo de Plotkin era o diabetes, que
tinha matado as duas avós, era e ainda é uma das pragas americanas.
Na tribo, descreveu a doença e
acompanhou o pajé na caminhada que recolheu ervas, cascas de árvores, preparou
sucos, cozinhou numa panela e deu a uma jovem índia que parecia um caso
terminal de diabetes. De um dia para outro, o nível do açúcar tinha baixado e
em pouco tempo ela estava na horta. Esta cura milagrosa mereceu destaque no New
York Times.
Bem como o
fracasso do remédio, quando foi trazido e testado no laboratório da empresa. E
de outro, vindo da casca de uma árvore, contra diarreia. As ações da empresa
foram a zero. Bye, bye, pajelança.
Quase 20 anos
depois, Mark Plotkin ainda aposta nos índios, nas selvas, nos pajés e no GPS. Sua
ONG conseguiu um importante aliado, o Google e seus mapas.
Em vez de
mapear as reservas indígenas, Plotkin e Google ensinaram os índios como se faz
um mapeamento com o GPS. Quando um garimpeiro ou um madeireiro chega na tribo
com um mapa e dizem aos índios onde vão minerar ou cortar árvores, os índios
sacam seus próprios mapas. Pá! Fim de papo.
Plotkin está
mais ativo entre as tribos do Suriname e da Colômbia, onde ele vê um governo
mais atuante na proteção dos índios e das selvas. Mas e a medicina da
pajelança? Todas aquelas promessas de ervas, folhas, frutas, raízes e cascas
milagrosas?
Continuam
suspeitas e deram pouquíssimos frutos. Os produtos das nossas plantas venderam
US$ 150 milhões no Brasil em 2008, um número centesimal comparado com as vendas
destes tipos de produtos nos Estados Unidos (US$ 250 bilhões).
Na sua tese
de doutorado, a professora Andreia Mara Pereira, da Unicamp, informa que os
chineses usam produtos medicinais de 26 mil árvores. O Brasil não está nem
entre os 10 primeiros países consumidores de plantas medicinais, embora nossa
Amazônia tenha um quarto das espécies de plantas do mundo.
O professor
José Maria da Silveira, do Instituto de Economia da Unicamp, me mandou uma
lista que vai da letra A a H e outros argumentos fora do alfabeto para explicar
os fracassos, as dificuldades e as complicações das nossas leis e nossos
políticos na biotecnologia. Os tratados e leis internacionais não andam. Ele
diz que o Brasil se queixa da biopirataria, mas é um biopirata, 'talvez o maior
biopirata do mundo'.
Há mais de 10
anos, o governo brasileiro criou o CBA, Centro de Biotecnologia da Amazônia.
Adriano Andricopulo, professor da USP, diz que o país tem ótima infraestrutura
e um número significativo de laboratórios e pesquisadores, 'mas o Brasil ainda
não desenvolveu um único fármaco (produto farmacêutico) a partir de suas fontes
naturais'. Entre os absurdos, ele cita a copaíba: 'O Brasil tem o maior número
de publicações científicas sobre a copaíba e não temos patentes sobre o insumo.
Outros países, como os Estados Unidos, já registraram diversas patentes'.
E os
afrodisíacos amazônicos? Mark Ploktin levou dois para os laboratórios de
Harvard: brocharam, concluíram os pesquisadores. Descobriu um terceiro, mas nem
levou para o laboratório. Já tinha sido descoberto, por acaso, o Viagra.