A vida é cheia de coincidências. De repente, tropeçamos em um novo emprego, na oportunidade de um bom negócio ou misteriosamente conhecemos alguém que vai ser nosso sócio, confidente, marido ou mulher. Sonhamos com um velho amigo e, na manhã seguinte, ele bate à nossa porta. Ou o telefone toca e, antes mesmo de atender, já sabemos quem é. Quando falamos em coincidências, quase todo mundo tem uma história para contar: de quando tomou uma decisão - comprar um carro novo ou mudar de emprego, por exemplo - e logo depois conheceu alguém ou recebeu uma informação que transformou o sonho em realidade.Vamos ver, por exemplo, a história contada por Wayne Dyer em seu livro Você verá quando acreditar. É uma situação incrível vivida por ele. Wayne passou um bom tempo à procura do pai, que tinha abandonado a família quando ele era ainda bem pequeno. Um dia, recebeu um telefonema de um parente distante informando que seu pai tinha morrido seis anos antes e estava enterrado em Biloxi, Mississippi. Quatro anos depois desse telefonema, Wayne viajou a negócios para uma cidade do Mississippi a trezentos quilômetros de Biloxi. Decidiu, então, alugar um carro e ir visitar o túmulo do pai.O carro era novinho, alugado pela primeira vez. Os cintos de segurança ainda estavam presos embaixo dos assentos. Para alcançar o cinto, ele teve de tirar o assento e rasgar a proteção de plástico. Ao abrir a fivela que prendia o cinto, encontrou um cartão que dizia: "Candlelight Inn, Biloxi, Mississippi", com o endereço, telefone e, verso, as indicações de como chegar ao local. Sem saber bem porque, Wayne guardou o cartão no bolso da camisa e iniciou a viagem.Chegando a Biloxi, parou em um posto de gasolina para procurar no catálogo o número de telefone dos cemitérios locais. Como não sabia em qual dos cemitérios o pai estava enterrado, ligou para um dos dois que havia na cidade, tentando obter alguma informação. Quem atendeu foi um senhor que confirmou: o pai de Wayne estava sepultado lá. E, sem esperar mais alguma pergunta, continuou: "O túmulo é próximo aos jardins de Candlelight Inn. Peça a alguém aí que lhe ensine como se chega lá."Incrivelmente surpreso, Wayne meteu a mão no bolso e tirou o Cartão. Não precisava perguntar a ninguém. Pelas indicações no verso do cartão, percebeu que estava a apenas três quarteirões do cemitério.Essas coincidências, que acontecem frequentemente a todos nós, já foram documentadas por muitos cientistas, inclusive por Carl Jung, reconhecido desde o início do século XX por suas importantes contribuições à psicologia. Jung chamou esse fenômeno, que definiu como coincidências propositais, de "sincronicidade". Baseado em suas experiências individuais e nos relatos de seus clientes, chegou à conclusão de que existe no universo um princípio ou força condutora que nos guia em direção a um determinado destino. A maioria chama essa força de Deus. Jung também afirmou que essa força está presente na vida de todos nós. Só lemos que procurá-la, estar abertos para o sagrado e começar a aproveitar as oportunidades que surgem.Como acontecem essas situações de sincronicidade? Muitas vezes, começam com um pensamento, uma intuição ou o sentimento de que devemos fazer alguma coisa ou ir a algum lugar. Por exemplo: você está a caminho do trabalho, com uma longa lista de compromissos, e, de repente, tem vontade de parar em uma livraria.Sua mente racional logo afasta a ideia, considerando-a pura perda de um tempo valioso e lembrando as obrigações. Mas, ainda assim, você decide seguir o impulso e entrar na livraria, e lá conhece alguém ou encontra um livro que soluciona um problema de trabalho que estava lhe dando muita preocupação. Nesse caso, a coincidência que fez encontrar uma solução muito desejada foi o resultado de obedecer a uma intuição.É assim que costumam acontecer as situações de sincronicidade. Temos uma intuição e, ao seguir o que ela nos diz, vivemos uma experiência que torna a nossa vida melhor ou nos leva para uma nova direção. Por isso, ao tomar uma decisão, é bom acrescentar a intuição à lógica. Em vez de confiar apenas na lógica e seguir estritamente o planejamento, precisamos ouvir as ideias que, de repente, nos vêm à mente.Salle M. Redfield
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quinta-feira, 10 de abril de 2014
016 - Salle M. Redfield - coincidência
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